10/1/2008 - Microsoft pode se fortalecer com a saída de Bill Gates
São Paulo, 10 de Janeiro de 2008 - O que muitas vezes resulta na perda de rumo para uma empresa, a aposentadoria de seu fundador, significa mais um passo na solidificação de um império, a Microsoft. O anúncio da aposentadoria de Bill Gates pode rende bons frutos a companhia, maior empresa global de software. A empresa poderá se capitalizar com a saída do executivo, uma vez que dará um sinal positivo de profissionalização ao mercado e de que não depende de "somente" uma mente criativa, avalia o diretor da consultoria de gestão de marcas BrandAnalytics, Eduardo Tomiya.
O valor da marca Microsoft atinge US$ 54,9 bilhões e a empresa ocupa a terceira colocação no ranking mundial das marcas mais valiosas, atrás de Google (US$ 66,4 bilhões) e GE (US$ 61,8 bilhões), segundo dados do instituto de pesquisa de origem inglesa Millward Brown Optimor.
Fundador da Microsoft, em 1975, Gates anunciou oficialmente no início desta semana que em meado deste ano deixa o dia-a-dia da empresa para se dedicar ao desenvolvimento da web e à filantropia. O executivo, que continua como presidente do conselho da companhia, há 13 anos é apontado como o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 56 bilhões, segundo a revista Forbes.
"A aposentadoria foi um movimento já preparado e as pessoas para o qual Gates delegou suas funções podem fazem a companhia ficar ainda mais profissional, diferente da Apple, por exemplo, que depende muito do Steve Jobs", diz Tomiya. Gates tem discutido a sucessão e o processo de transição com o presidente da Microsoft, Steve Ballmer, e o conselho ao longo dos últimos anos. Ray Ozzie assume a cadeira ocupada por Gates de Chief Software Architect (chefe de arquitetura de software), e Craig Mundie torna-se chefe de pesquisa e estratégia.
"Quando uma companhia se profissionaliza, dá um sinal positivo para o mercado em relação a governança corporativa", destaca Tomiya. A Microsoft, ressalta o executivo, correria o risco de perder atratividade com os consumidores caso perdesse tecnologia. "Mas com a estrutura montada por Gates e a competência dos executivos
que assumirão suas funções isso não deve acontecer. Não é esse fato que vai levar a queda da empresa ou crescimento das concorrentes", observa. Não é raro a saída do fundador causar dificuldades para a empresa, caso da TAM, com a ausência de Rolim Adolfo Amaro, o Comandante Rolim. "O risco de depender de um homem forte é ruim pela ótica dos investidores", comenta Tomiya. Após um período de dois anos de transição, Gates vai continuar indefinidamente como "o homem" da Microsoft e conselheiro no desenvolvimento de projetos-chave.
Para a gerente de relações públicas da Microsoft Brasil, Priscilla Cortezze, a saída de Gates não afeta o desempenho da empresa, uma vez que o projeto de transição começou há um ano e o executivo continua como presidente do conselho a partir de junho.
Bill Gates deixa o cargo
de chefe de arquitetura de software mas segue com atuação na área de projetos especiais, auxiliando a empresa no desenvolvimento e no lançamento de novos produtos e plataformas, como o recém-lançado Microsoft Surface.
A companhia, observa Priscilla, enxerga vantagens na decisão de Gates. Além de continuar na presidência do conselho e no desenvolvimento de produtos, o fundador da Microsoft poderá se dedicar mais à Fundação Bill e Melinda Gates, que atua no combate a doenças em países do terceiro mundo.
Priscilla comenta ainda que a decisão não deve prejudicar os investidores porque, como estava prevista há um ano, a empresa se preparou para a mudança com a escolha dos dois sucessores (Ray Ozzie e Craig Mundie), que dividirão as funções de Gates à frente do desenvolvimento e arquitetura de software. "A aposentadoria de Gates é um processo de sucessão natural, como em qualquer outra companhia", diz Priscilla.
Sobre um possível benefício de concorrentes como Google e Apple, Priscilla observa que o mercado continuará sendo extremamente competitivo, mas que a Microsoft é a companhia que mais investe em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Líder no fornecimento de software, serviços e soluções em tecnologia da informação, a Microsoft Corporation, presente no Brasil desde 1989, registrou faturamento global de US$ 51,12 bilhões no ano fiscal concluído em 30 de junho de 2007.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 5)(Gustavo Viana)
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